Os senadores que protegeram um colega nepotista sofreram repúdio da sociedade paraguaia e voltaram atrás

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O Paraguai é o segundo país mais corrupto da América do Sul, atrás apenas da Venezuela, de acordo com a Transparência Internacional. Na semana passada, seus cidadãos demonstraram estar fartos disso. Milhares de paraguaios foram às ruas da capital, Assunção, em protesto contra uma votação no Senado. Nela, 23 congressistas absolveram o senador Víctor Bogado, do Partido Colorado, o mesmo do presidente Horácio Cartes. Bogado, que também deu seu voto, é acusado de ter empregado a babá de seus filhos na Câmara dos Deputados e na hidrelétrica Itaipu Binacional, com rendimentos totais equivalentes a 8 200 reais. Às manifestações de rua somaram-se os donos e funcionários de mais de 100 estabelecimentos comerciais da cidade que decidiram boicotar os senadores que protegeram o nepotista. Deu certo. Na quinta-feira 28, os senadores mudaram o voto e retiraram o foro privilegiado de Bogado, que será julgado pela Justiça comum. 

Ao longo dos dias de reação popular, houve casos como o do garçom da pizzaria II Bambú, que se aproximou da mesa em que o senador Oscar González Daher pretendia jantar com uma mulher e recomendou-lhe que se retirasse. O político saiu antes de fazer o pedido. Das outras mesas, ouviam-se gritos de "Fora, ladrão!". Os "23", como ficaram conhecidos os senadores corporativistas, foram barrados também em shopping centers. postos de gasolina e cinemas. Os hospitais aceitaram atendê-los, deixando claro que só o faziam por uma questão de humanidade. 

País exportador de grãos e de gado e com receitas vindas do comércio em Cidade del Este, o Paraguai tem se desenvolvido no setor de serviços. A classe média já representa mais de um quarto da população. O PIB neste ano deve crescer 12,5%. Apesar de terem mais dinheiro, os paraguaios não desfrutam uma melhora na qualidade dos serviços públicos. O país carece de bons hospitais, escolas e estradas. A nova situação reduziu a tolerância do povo em relação a políticos corruptos. Os paraguaios, porém, não saberiam contra quem se rebelar se o voto no Senado fosse secreto. O episódio demonstra quanto a democracia ganha quando se conhece de que lado ficam os parlamentares ao decidir pela punição ou pelo acobertamento dos abusos cometidos por seus pares. 


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