Lopes Trovão - O Paladino da Liberdade

José Lopes da Silva Trovão ou, simplesmente, Lopes Trovão, nasceu em 23 de maio de 1848 na Ilha da Gipóia, em Angra dos Reis - RJ e faleceu em 23 de março de 1925 na cidade do Rio de Janeiro Era filho de José Maria dos Reis Lopes Trovão e Maria Jacinta Lopes Trovão.

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Propagandista da República

Fez seus preparatórios no Externato Aquino, no Rio de Janeiro. Doutor em Medicina, pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em 1875, defendendo a tese Disenteria, para a cadeira de ciências médicas. Apresentou as seguintes proposições: Mudanças de estado, em ciências acessórias; Aparelho de visão, em ciências cirúrgicas; e Da circulação, em ciências médicas.

Diplomata e jornalista, exerceu, ainda, os cargos de deputado federal para mandatos de 1891 a 1894 e 1894 a 1895.

Posteriormente, senador da República entre 1895 e 1902

 

O revolucionário

Durante o 2º Reinado (1840-1889), surgiram os partidos Liberal e Conservador. O primeiro, descendente direto dos Exaltados ou farroupilhas da época do 1º Reinado (1822-1831), advogava a liberação das províncias, com um governo parlamentar mais aprimorado, a abdicação do poder moderador, fim do vitaliciamente do senado e desejavam ainda a abolição da escravatura e a eleição bienal dos deputados.

Os Liberais eram também chamados de Luzias, nome derivado da Vila Santa Luzia do rio das Velhas, em Minas Gerais, onde se travou a batalha em que a revolta Liberal mineira de 1842 foi sufocada pelo General Luís Aves de Lima e Silva, à época Barão de Caxias.

Já os Conservadores pregavam um sistema político onde as autoridades governamentais deviam agir imparcialmente garantindo a liberdade de todos os cidadãos, defendendo o governo centralizado. Este partido tornou-se conhecido na década de 1840 pela denominação de "Saquarema" do nome do município fluminense onde se localizava as propriedades agrícolas de um dos seus principais líderes, José Rodrigues Torres, Visconde de Itaboraí.

Como resultado da questão pessoal envolvendo o primeiro-ministro Zacarias de Goes e Caxias, que ameaçou abandonar o comando das tropas da Tríplice Aliança na Guerra do Paraguai, o Imperador resolveu demitir o primeiro-ministro. Isto provocou a cisão do partido Liberal em Liberais Moderados e Liberais Radicais.

Entre estes últimos vamos encontrar Lopes Trovão, que, em 03 de Dezembro de 1870 aparece como signatário do célebre Manifesto Republicano, publicado no jornal “A República” do Rio de Janeiro.

O Manifesto defendia o federalismo (autonomia para as Províncias administrarem seus próprios negócios) e criticava o poder pessoal do imperador. A partir dessas idéias surgiram os jornais, os clubes e os partidos republicanos.

Seu nome também aparece entre os membros do “ Clube Republicano” que se reunia no tradicional bairro de São Cristóvão, na residência do Capitão Emiliano Rosa Sena, do qual faziam parte José do Patrocínio, Quintino Bocaiúva, Pardal Mallet, entre outros.

Em 1879, Lopes Trovão participou da campanha pela Abolição da Escravatura e da Associação Central Emancipadora (abolicionista), junto com José do Patrocínio, Joaquim Nabuco, Ubaldino do Amaral e Paula Ney e Chiquinha Gonzaga, com quem tinha uma grande amizade.

Ainda neste ano teve uma participação destacada no episódio conhecido como a Revolta do Vintém. Este movimento, ocorrido no final de 1870 na cidade do Rio de Janeiro, foi deflagrado pelo aumento da taxa de vinte réis (um vintém) cobrados sobre o transporte público feito pelos bondes de tração animal que serviam à população.

Contidos pelas autoridades policiais, cerca de cinco mil manifestantes, liderados por Lopes Trovão, postaram-se em frente ao Campo de São Cristóvão, sede do Palácio imperial, esperando uma resposta do Imperador, que prometia abrir negociação para resolver a contenda. Lopes Trovão aproveita-se do momento para lançar seus argumentos republicanos contra o Imperador no jornal Gazeta da Noite, onde convocava a população carioca a reagir com violência contra a medida imperial.

Incitados por Lopes Trovão, a população reage à medida, oficializada no primeiro dia do ano seguinte. Aos gritos de “fora o vintém”, os revoltosos começaram a esfaquear mulas e espancar condutores de bondes. Os policiais, sem condições de reagir, pediram auxílio ao Exército.

Com a chegada da tropa, a multidão começou a lançar pedras contra a mesma, que reagiu com tiros, dispersando a multidão. O motim popular foi completamente desarticulado nos dias posteriores.

O seu envolvimento na Revolta do Vintém talvez explique a tendência revolucionária do seu ideal republicano.

A propósito, os republicanos brasileiros dividiam-se em duas tendências:

- Os de tendência Evolucionista - Representada por Quintino Bocaiúva, acreditava que a transição da Monarquia para a República deveria ser feita pacificamente.

- Os de tendência Revolucionária - Representada por Silva Jardim e Lopes Trovão.

Pretendiam instalar a República através da ação armada do povo. Essa tendência era minoritária no Parlamento Republicano.

Embora houvesse diferenças entre cada um desses grupos no tocante às estratégias políticas para a implementação da república e também quanto ao conteúdo substantivo do regime a instituir, a ideia geral, comum aos dois grupos, era a de que a república deveria ser um regime progressista, contraposto à exausta monarquia. Dessa forma, a proposta do novo regime revestia-se de um caráter social revolucionário e não apenas do de uma mera troca dos governantes.

Encontramos novamente a figura de Lopes Trovão, em outubro de 1881 realizando um comício onde pregava a revolução republicana.

Este comício foi interrompido por policiais e, durante o conflito que se seguiu, o tribuno republicano quase foi assassinado.

Após este episódio, e por consequência do seu envolvimento na Revolta do Vintém, vamos encontrar Lopes Trovão passando alguns anos na França e lá publicando, como editor-chefe, o periódico Chronique Franco-Brésilienne, onde defende os ideais republicanos e abolicionistas e a fraternidade dos povos de raça latina.

O seu retorno ao Brasil, ocorrido quando o ideal republicano já havia amadurecido o suficiente, é saudado com diversas manifestações populares ao mais radical tribuno popular republicano.

É nesta época que ocorre o famoso episódio envolvendo o então cadete Euclides da Cunha, na Escola Militar da Praia Vermelha.

Para evitar que os cadetes tomassem parte nestas manifestações, o Coronel Clarindo de Queirós, comandante da Escola, comunicou a visita do Conselheiro Tomás Coelho, Ministro da Guerra, para a mesma ocasião, tentando evitar a participação dos seus alunos nos protestos. O Ministro passou em revista a 1ª Companhia sem que se verificasse qualquer tipo de indisciplina, mas, quando chega à 2ª Companhia, Euclides sai de forma e tenta quebrar sua baioneta, jogando-a depois aos pés do ministro a quem se dirige com violentas palavras de protesto.

Como se sabe, foi recolhido, imediatamente, à prisão.

O Dr. Lino de Andrade transferiu Euclides para o hospital com diagnóstico de ‘esgotamento nervoso por excesso de estudo’. Os jornais republicanos exploraram o fato prenunciando o fim da Monarquia. Submetido, mais tarde, a interrogatório, Euclides da Cunha professou sua fé republicana provocando seu desligamento do Exército por indisciplina.

Consta que, na manhã do dia 19 de novembro de 1889, o marechal Manoel Deodoro da Fonseca recebia em sua casa alguns republicanos, liderados por Lopes Trovão, os quais iam submeter, à sua apreciação, o projeto da nova bandeira do Brasil.

Era aquela bandeira conhecida, de listas horizontais verdes e amarelas, arremedo da bandeira norte-americana, e que foi rejeitada por Deodoro. Após a proclamação de República Lopes Trovão foi eleito deputado pelo Distrito Federal à Assembleia Constituinte.

Nesta ocasião, apresentou emenda concedendo o direito de voto às mulheres.

No início de 1892, Lopes Trovão fundou junto com Pardal Mallet e Olavo Bilac o jornal “O Combate”, de oposição ao governo de Floriano Peixoto.

Esta confrontação se deu principalmente porque julgavam que a sua posição na Presidência do país era ilegal de acordo com a interpretação que davam ao Artigo da primeira Constituição da República.

Terminado seu mandato de Deputado Federal, é eleito, em 1895, Senador, cargo que exerceu até 1905.

Lopes Trovão faleceu 20 anos depois, no Rio de Janeiro, aos 77 anos de idade.

 

Fonte: Trabalho sobre Lopes Trovão - O Paladino da Liberdade - Helton Fernandes de Andrade