História do Porto de Nictheroy

Antecendentes

O prefeito Feliciano Pires de Abreu Sodré deu prosseguimento à obra remodeladora de Pereira Ferraz. Em 1911, o Porto de Niterói começa a ser idealizado entre a Ponta d'Areia e o Porto do Méier, região da Enseada de São Lourenço (ou Mangue de São Lourenço), outrora ocupada por manguezais, e que a partir dos séculos XVIII e XIX, começou a sofrer progressivo processo de assoreamento, tornando-se o vazadouro de lixo da cidade, insalubre, uma "ferida cancerosa aberta em pleno coração da cidade", como expressou a Comissão Construtora do Porto de Nictheroy e Saneamento da Enseada de São Lourenço.

Em 1913, oficializou-se por decreto a construção do Porto de Niterói, aos moldes do Porto do Rio de Janeiro. A cidade aos poucos desenvolvia-se nas mãos de Feliciano Sodré, que implantou uma rede de saneamento, beneficiando São Lourenço, Fonseca e Ponta D`Areia.

A urbanização empreendida teve forte influência da reforma feita por Pereira Passos na cidade do Rio de Janeiro, contemporânea à de Feliciano Sodré. Foi o chamado período da "Renascença Fluminense", sendo a tentativa de criação de uma identidade própria para Niterói e para o Estado do Rio de Janeiro distinta à Cidade do Rio de Janeiro. A principal concepção era a aproximação entre o centro comercial e o centro político do estado.

As obras de "saneamento/aterro" da enseada começaram em aproximadamente 1917 e 1918, prolongando-se por dez anos, dado o aterro de grandes proporções que quase duplicou a área urbana.

Paralelamente às obras do aterro, ocorreu o desmonte hidráulico do Morro do Campo do Sujo e pequena parte do Morro São Sebastião. O Morro do Campo Sujo ou Morro Dr. Celestino era a área de esgotamento sanitário, despejo dos barris dos "tigres" no século XIX. Desta área, emergiria o centro político da cidade, representado pela Praça da República e complexo de prédios, Escola Normal (Liceu Nilo Peçanha), Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (atual sede da Câmara Municipal de Niterói), Secretaria de Segurança, Palácio da Justiça e Biblioteca Pública.

Construção do porto

Ao ser empossado governador, Feliciano Sodré expediu a autorização para a construção do porto e o saneamento completo da enseada, retirando o lodo existente, aterrando a área compreendida entre o cais e a antiga linha do litoral, construindo armazéns para serviços portuários e conseqüente abertura a navegação de cabotagem.

O projeto de urbanização proposto pela Comissão Construtora do Porto de Nictheroy e Saneamento da Enseada de São Lourenço aterrou uma área de 357 000 m². O traço urbano do aterrado, radial-concêntrico (formando um leque, semicírculo) possuía ruas que convergiam para a praça central – Praça da Renascença, (onde existe a estação da "Leopoldina Railway", inaugurada em 1930). O primeiro trecho do porto foi inaugurado em 1927 e o segundo em 1930.

O governo federal, pelo Decreto 16.962, de 24 de junho de 1925, concedeu, ao estado do Rio de Janeiro, autorização para construir e explorar comercialmente o Porto de Niterói. Ainda na década de 1920, são feitas as obras do aterrado da Enseada de São Lourenço, no mangue que ali existia. Este aterro tinha com objetivo de facilitar a construção do Porto de Niterói, da Estação Ferroviária e de uma nova avenida, a Feliciano Sodré, no limite do bairro de Santana com o Centro e São Lourenço. O desenvolvimento das primeiras instalações compreendeu um trecho de 100 m de cais e um armazém para carga geral.

A Estrada de Ferro The Leopoldina Railway prolongou suas linhas, da estação de Maruí (existente desde 1827) até o novo cais, onde foi construída estação de passageiros, esta aberta ao público em 1930.

Decadência

O Porto passou a ser administrado a partir de 1960 pelo Departamento de Portos e Navegação do governo estadual, teve a concessão extinta pelo Decreto 77.534, de 30 de abril de 1976, ficando sob a gestão da Empresa de Portos do Brasil S.A. (Portobras), extinta em 1990. O porto é integrado ao complexo portuário da Companhia Docas do Rio de Janeiro.

O movimento do Porto de Niterói - sempre pequeno - consistia, principalmente, na exportação de café para o exterior e de açúcar de Campos para portos nacionais. Era utilizado também na importação de madeiras e trigo. O movimento portuário de Niterói, no entanto, esvaziou-se em quase 50% no período de 1964-1967, com a decadência da economia cafeeira do Norte Fluminense. O setor têxtil, tradicional na economia fluminense, também foi perdendo a competitividade desde então.

Na década seguinte com a construção da Ponte Rio-Niterói, uma parte do cais foi tomada por aterro e viadutos de acesso das vias da cidade à ponte, limitando e complicando as atividades portuárias locais, contribuindo para acelerar a decadência do porto. A estagnação da atividade da indústria naval na década de 1980 e 1990, fez com que o Porto se limitasse as atividades de importação de trigo ao Moinho Atlântico. Por sua vez, as enseadas dessa região acabaram criticamente assoreadas, com pontos onde a profundidade é de apenas 30 cm.

Revitalização e Base Offshore

Na década de 2000 começa um processo de revitalização do porto. Para o setor portuário, a revitalização do Porto de Niterói - com 23.000m² de área aberta e 3.300m² de área coberta -, é estratégica ao desenvolvimento da produção industrial local, em especial a relacionada à indústria de construção e reparo naval, em franco crescimento. Em 2005, foram assinados os contratos de arrendamento para exploração do Porto de Niterói, buscando o seu desenvolvimento, com novos investimentos na infra-estrutura que possibilite um novo perfil para o Porto em conformidade com o mercado da região em torno do mesmo.

Atualmente a potencialidade do Porto está voltada para a movimentação de carga geral, reparo naval e principalmente adequado ao apoio logístico na atividade offshore. O local possui dois armazéns com capacidade de 12 000 toneladas, mais dois pátios descobertos, totalizando 3.584 metros quadrados.

Atuação

Os terminais do Porto de Niterói atendem à demanda logística e de cargas na atividade offshore, focados em empresas nacionais e internacionais de óleo e gás que operam no País.

Nitshore e NitPort serão as mais modernas bases de logística em apoio às atividades offshore da América Latina, prontas para atender às maiores exigências, com qualidade e expertise no setor, responsáveis pelo suporte, fabricação, reparação e apoio, voltadas para módulos de plataformas e equipamentos de produção de petróleo e gás.

O Porto de Niterói importa e exporta equipamentos, peças e cargas em geral e pretende servir ao escoamento da produção do futuro pólo petroquímico de Itaboraí, com o objetivo de assumir a maior fatia do mercado, com a base mais eficiente de operação logística para as atividades de produção e exploração de hidrocarbonetos nas bacias de Campos e Santos.

O Porto de Niterói oferece modernos serviços de abastecimento de água doce – pioneiro na Baía de Guana­bara – e óleo diesel para as embarcações atracadas, além de apoio logístico, aluguel de guindaste e empi­lhadeiras, aluguel de contêineres, escritórios e salas de reunião, tanques de cimento, perfuração e completação.

- Calado/profundidade:
Canal de acesso possui 1,4 km de extensão e 70 m de largura. O Cais acostável tem 432 m de extensão e a profundidade é de 7,5m.

– Terminais
Nitport Serviços Portuário S/A
Nitshore Engenharia e Serviços Portuários S/A

Instalações

O porto tem uma área total de 27.060 metros quadrados, com 431 m de cais com calado de operação de 7,5m, do tipo Flensburg, constituído de estacas de concreto armado no parâmento de acostagem e com 16 cabeços de aço fundido interligados por viga de coroamento longitudinal a cada 28m, também de concreto armado.

Localização e Contato

Av. Feliciano Sodré, 215, Centro, Niterói – RJ – CEP.: 24030-012
Tel.: (21) 3604-5970 / (21) 3604-5971
e-mail: gernit@portosrio.gov.br – Site: www.portosrio.gov.br