Economistas refazem projeções e esperam PIB menor este ano

Retração no 3º trimestre deixa estimativas entre 2,2% e 2,4% 


Marcello Correa, Henrique Gomes Batista e Martha Beck | O Globo

RIO E BRASÍLIA - O resultado pior que o esperado do crescimento da economia brasileira divulgado ontem pelo IBGE e as alterações em números de 2012, anunciadas pelo instituto, fizeram com que analistas e revisassem suas projeções para o crescimento do PIB em 2013. 

Com os novos dados, as estimativas, segundo seis consultorias e instituições ouvidas pelo GLOBO, passaram a variar entre 2,2% e 2,4%. Não há consenso, porém, sobre a influência dos novos dados sobre os cálculos. Apesar de a maioria das projeções ter diminuído com o fraco resultado, outras ficaram mais otimistas, refletindo a revisão do PIB de 2012, que subiu de 0,9% para 1%. 

Mesmo com a revisão dos dados pelo IBGE, o resultado ficou abaixo das expectativas da presidente Dilma Rousseff e do ministro da Fazenda, Guido Mantega. Antecipando-se à divulgação, os dois apresentaram números sobre a expansão da economia do país que não se confirmaram. 

PIB DE 2012: abaixo do 1,5% de Dilma 

Em entrevista ao diário espanhol “El País”, na última quinta-feira, Dilma afirmou que o PIB de 2012 seria revisado de alta de 0,9% para 1,5%. Segundo nota emitida no mesmo dia pelo porta-voz da Presidência da República, Thomas Traumann, a afirmação de Dilma foi feita com base “em estudos preliminares do Ministério da Fazenda”. 

Nos bastidores, porém, o fraco desempenho da economia no terceiro trimestre já era esperado pela equipe econômica, que trabalhava com um cenário de crescimento entre zero e 0,5% em relação ao segundo trimestre. Mesmo assim, o governo está otimista em relação ao quarto trimestre, que deve mostrar alta de 2,5%. Caso o número se confirme, o país ficaria em sétimo lugar, segundo o ranking do FMI, à frente de economias como a Austrália. 

O mercado, porém, refez as contas para o fechamento do ano. E a maior revisão negativa foi feita pelo Itaú Unibanco. A queda de 0,5% no terceiro trimestre fez com que o banco, que esperava alta de 2,4%, revisse sua estimativa para elevação de 2,2% neste ano. Silvia Matos, professora do Instituto de Economia Brasileira da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), também revisou as estimativas, de 2,5% para 2,4%. 

A Tendências passou a prever alta de 2,2% em 2013, ante 2,4%. A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) também reduziu a previsão, de 2,5% para 2,3%, e revisou, de 2,3% para 2,1%, a estimativa para 2014. Já a consultoria LCA reviu de 2,6% para 2,4% a projeção para 2013. 

Para 2014, o cenário ainda é incerto. Segundo Braulio Borges, economista chefe da LCA, é a maior dispersão de projeções para o ano seguinte desde 2002. As previsões variam de crescimento de 0,5% até 3,4%. Já Alex Agostini, da Austin Rating, revisou para cima a estimativa, que passou de 2,1% para 2,3%. Para Sergio Vale, da MB Associados, a economia deve crescer 2,4% em 2013, contra 2,3% antes. 


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