Condições adversas do Condutor - condições físicas

São as seguintes as condições físicas que podem se tornar adversas ao condutor de um veículo:

Físicas

. fadiga;

. dirigir alcoolizado;

. dirigir após ter utilizado um "rebite", ou qualquer outra droga, mesmo que sejam remédios;

. sono;

. visão ou audição deficiente;

. perturbações físicas (dores ou doenças).


Fadiga

18% dos acidentes são ocasionados pela fadiga dos motoristas (ABRAMET)

Afadiga é o grande inimigo dos motoristas. Num dos trabalhos publicados no Programa Volvo de Segurança nas Estradas, é vista como o resultado de vários fatores adversos: a monotonia, que se dá em estradas, principalmente à noite; a intensidade do trabalho mental e físico (mesmo sentado, o motorista se movimenta e troca marchas, o que cria a forte "dor do motorista", no lado direito do tronco); a carga horária nem sempre limitada (entre condutores de caminhões, o índice de acidentes cresce entre a 7ª e a 10ª hora de direção e passa do dobro entre a meia-noite e as oito horas.

A temperatura, ruídos e vibrações que cercam o motorista também afetam seu trabalho no volante. Para se sentir bem, o motorista de um ônibus deve estar a 27ºC, mas, no verão, a temperatura dentro de um veículo lotado chega a 50ºC. Isso pode causar desordem psiconeurótica e afetar sua habilidade. Igualmente, ruídos provocam irritação, tensão, dores de cabeça e má digestão. A vibração também causa estresse mecânico, dos tecidos e estimulação dos terminais nervosos nela contidos.

Na verdade, os motoristas enfrentam condições cada vez mais estressantes. A quantidade de veículos, congestionamentos, perigos e todos os tipos de distrações exigem seu preço. Esses fatores impõem novos desafios dos engenheiros, que, com a Segurança Fisiológica, estão apresentando aos motoristas novos equipamentos, no sentido de aliviar o estresse físico e mental e fazer com que a sua concentração aumente.

Dirigir alcoolizado, sob influência de drogas ilícitas ou medicamentos

Álcool

Dentre as substâncias psicoativas consumidas, o álcool é, estatisticamente e pelo amplo e legalizado uso, a mais danosa das drogas relacionadas a direção e acidentes.
O álcool é uma substância que se difunde rápido por todo o organismo tendo a sua absorção iniciada já no estômago. No entanto atinge o interior de todas as células interferindo no mecanismo de respiração celular.

O álcool promove alterações funcionais significativas desde pequenas doses, variando de pessoa a pessoa. Há alterações motoras, psíquicas e de percepção. Também aumenta a agressividade, reduz a atenção e aumenta o tempo de reação, que é o quanto se demora pra perceber o estímulo e executar a ação.

Não existe nível seguro de alcoolização e a ingestão e o efeito do álcool sofre influência de vários fatores como cansaço, uso de medicamentos, refeições associadas e mesmo individuais que variam bastante. Portanto aquela velha frase que uma pessoa de 70 quilos pode tomar uma lata de cerveja ou um copo de vinho, não é verdade.
Segundo a OMS o álcool é responsável por cerca de 40% das mortes no trânsito.

Adotar um limite aleatório de alcoolemia não seria medida capaz de impedir todos os acidentes relacionados ao consumo do álcool, mesmo porque pequenas doses já mostram alterações no tempo de reação.

A partir do momento do acidente causado por um condutor alcoolizado, uma sucessão de eventos oneram a sociedade como um todo, desde a retirada das vítimas, remoção ao hospital, tratamento hospitalar e até mesmo o pagamento de benefícios enquanto não retornem ao trabalho, sem contar os que ficam inválidos e perdem o sustento da suas famílias.

Cerca de 30% dos pacientes com lesões medulares ou encefálicas foram vítimas de acidentes de trânsito e eles, com seus familiares, carregarão pelo resto da vida suas limitações dolorosas.

 

Drogas Lícitas (medicamentos)

É indiscutível que as drogas influenciam negativamente na condução veicular. Muitos medicamentos usados de rotina podem reduzir o tempo de reação, que é o quanto se demora pra perceber o estímulo e executar a ação. Com o uso de drogas, álcool, telefone celular, desatenção e cansaço este tempo aumenta e com ele o risco de acidentes.
De acordo com o tipo de droga usada o condutor pode reagir dirigindo com euforia, agressividade, sonolência, alucinação, visão turva, negligência, etc.

Alguns medicamentos usados podem influenciar na condução, como por exemplo: antialérgicos (polaramine, celestamine, hixizine), analgésicos (tylex, tramal), antirelaxantes (tandrilax, mioflex), antidepressivos (tryptanol, tofranil, anafranil), ansiolíticos (lorax, lexotan, diempax), antiepilépticos (gardenal, hidantal, tegretol), antieméticos (plasil, dramin), hipoglicemiantes (diabinese) entre tantos outros.

Como se vê, às vezes não é a doença que contra indica a direção, mas o tipo de medicamento usado no seu tratamento. Alguns requerem cuidado e impedimento em dirigir principalmente em vias de trânsito rápido como estradas.

Converse sempre com o seu médico sobre os seus remédios e o risco de dirigir.

Drogas ilícitas

- Maconha: principais efeitos: relaxamento e lentidão dos reflexos e ações. Perturbação na capacidade da pessoa em calcular tempo e distância. Tempo de reação reduzido.

- Cocaína e Crack: ambos levam a agitação e agressividade. Estimula guiar em alta velocidade e com agressividade. Também altera o tempo de reação e perda da sensibilidade na tomada de decisões, como exemplo provocar freadas bruscas sem necessidade também por perda da noção de velocidade-distância. O motociclista tende a fazer manobras bruscas e mudanças de direção e faixa de maneira súbita sem necessidade.

O condutor é responsável tanto pela sua segurança, quanto pela segurança de outro condutor e dos pedestres

Sono

Motoristas que dirigem com sono são responsáveis por 42% dos acidentes de trânsito (ABRAMET)

O sono e a direção veicular são parceiros em inúmeros acidentes no trânsito.

Alguns motoristas estão mais sujeitos ao sono e esta relação hoje é bem estudada. Podemos citar como exemplos o uso de medicamentos, as horas prolongadas de trabalho ou viagem, cansaço prévio às viagens, obesidade, refeições “pesadas” durante as viagens e noites mal dormidas ou viagens após farras como acontece no período do carnaval. O folião bebe muito e dorme mal por 4 ou 5 dias e depois monta na moto pra encarar a viagem de volta.

Sinais de sonolência durante a direção

Pálpebras pesadas, cabeça caindo, sonhando acordado, necessidade constante de esfregar os olhos, sair da faixa de trânsito, cansaço ou irritabilidade, bocejos constantes, visão borrada, piscamentos fortes e freqüentes, dificuldade para focalizar imagens, inquietação e desconforto na posição de pilotagem.

Entretanto, muita gente não reconhece ou valoriza os sinais de sonolência e com isso, continuam as viagens. De acordo com a National Sleep Foudation, 60% dos americanos dirigiram sonolentos e 37% admitem realmente dormiram ao volante no último ano.

Visão deficiente

Existe um denominador comum na maioria dos acidentes de trânsito, expresso nas estatísticas. A reação tardia, geralmente causada por desatenção ou deficiência visual.

Naturalmente, com a idade, surge a deficiência visual gradativa, chamada de presbiopia.

Raramente falamos na importância da visão na segurança do trânsito.

O sentido da visão permite receber os estímulos que chegam ao sistema visual, possibilitando ao condutor identificar as formas, as cores, a intensidade luminosa e os movimentos dos elementos presentes no ambiente rodoviário. Este sentido é muito importante, na realização da tarefa de condução, uma vez que através dele o condutor recebe uma grande quantidade de informação do ambiente rodoviário e também do seu próprio veículo. A detecção dos estímulos visuais e a sua identificação são essenciais para controlar o veículo e para que o condutor se possa orientar na rede rodoviária, interagindo de forma segura, com os restantes usuários da via.

Devido à sua estrutura, o olho humano não é capaz de detectar todos os estímulos, que estão presentes na envolvente rodoviária e mesmo as imagens que detecta não têm a mesma qualidade em toda a sua extensão. Na verdade, quando um condutor direcciona o seu olhar para um determinado local, só uma pequena parte dessa imagem apresenta um grande detalhe e nitidez. Esta área é aquela que se encontra na parte central de todo o campo visual.

Nas áreas adjacentes a esta zona central, onde a imagem é captada, com elevada nitidez e pormenor, as imagens captadas não possuem o mesmo grau de pormenor. No entanto, é possível ao condutor recolher algumas informações e fazer um processamento a partir destas imagens menos precisas. Assim, a visão periférica permite ao condutore distinguir sombras e grandes formas, possibilitando igualmente obter vagas sensações de movimento. Se o condutor pretender ter uma noção mais clara e detalhada do envolvimento que o rodeia tem de mover os seus olhos constantemente através de todo o envolvimento, pois somente se colocar as imagens no centro do seu campo visual é que as consegue percepcionar com maior nitidez.

Algumas deficiências visuais, crónicas ou não, podem dificultar a percepção da realidade pelo condutor e diminuir a sua capacidade preceptiva e decisória.

Por exemplo, o astigmatismo altera a visualização dos objectos, próximos ou longe que podem ficar distorcidos, dificultando a distinção de letras em placas de indicação ou sinalização.

A miopia é um distúrbio visual que acarreta uma focalização da imagem antes desta chegar à retina, permitindo ver objectos próximos com nitidez mas os distantes desfocados. Esta deficiência impede a condução sem apoio de óculos ou lentes de contacto.

Já a hipermetropia é a dificuldade em focar os objectos próximos, mantendo a capacidade visual à distância. Esta deficiência tende a aparecer nos adultos por volta dos 40/50 anos de idade, dificultando a gestão de alguma informação a bordo do veículo, provocando cansaço e dores de cabeça.

Outras deficiências podem também ter consequências na segurança, como é o caso do daltonismo ou discromatopsia, que impede a diferenciação de todas ou de algumas cores como por exemplo distinguir o verde do vermelho, o que pode trazer consequências graves na identificação da sinalização luminosa, e que afecta cerca de 8% da população masculina.

Nalguns países a visão monocular é impeditiva da condução, pois não permite efectuar uma correcta distinção das distancias ou da tridimensionalidade dos objectos. Mesmo pessoas com visão binocular, estão sujeitas a erros de paralaxe, que alteram a perspectiva, noção das distâncias e das formas.

Quais são so requisitos mínimos de visão para um motorista?

A legislação que orienta os exames de visão de nossos Detrans definindo os padrões de acuidade visual são baseados em conceitos muito antigos e não expressam a habilidade real de cada motorista.

O exame de acuidade visual clássico, em que se projeta pequenas letras pretas em fundo branco, chamado teste de Snellen foi concebido há mais de 150 anos. Embora continue sendo útil ao oftalmologista no receituário de óculos e para se determinar a visão em dia claro, chamado de alto contraste, este teste não demonstra a qualidade da visão, especialmente em situações de baixa iluminação como a noite ou para objetos de cores ou contornos, ou cores menos definidas, situações comuns no trânsito.

Mesmo em pessoas que não precisam de óculos, a qualidade da visão se deteriora com a idade. Esta degradação não é detectada pelo exame de Snellen. Existem outros testes, adotados em muitos paises, capazes de avaliar nossa quantidade e qualidade de visão. Estes testes foram introduzidos pela NASA, na década de 80, para fins militares e, depois, adequados para uso civil. O mais comum, chamado Teste de Sensibilidade ao Contraste permite se analisar 6 diferentes canais da visão, enquanto o teste de Snellen nos permite avaliar apenas 1 canal.

Alguns testes necessários são: campo visual, sensibilidade ao ofuscamento, visão binocular, visão de cores, motilidade ocular, entre outros.

Audição deficiente

O sentido da audição é importante para a tarefa de condução, porque é responsável pela captação dos estímulos auditivos, ou seja, dos sons provenientes do ambiente rodoviário e também do veículo. Através dele é possível identificar timbres, alturas e frequências dos sons, intensidades sonoras, ritmos, e também a localização da fonte sonora. Todos estes elementos são importantes uma vez que, quando é detectado um som qualquer, como por exemplo o de uma buzina, o condutor é capaz de detectar a fonte que o emitiu, bem como ter a noção genérica do posicionamento dessa mesma fonte sonora.

A realização segura da tarefa de condução está relacionada com o sentido da audição. Alguns exemplos atestam que uma boa audição é sinónimo de boa condução. Os condutores geralmente ouvem o som da sirene da ambulância, antes de a verem no espelho retrovisor, ou ouvem a aceleração do motor do carro, que os vai ultrapassar antes de verem esse veículo. Todas estas informações que o condutor capta através da audição são muito importantes para que possa conduzir em segurança, uma vez que contribuem para que se aperceba com antecedência do que se passa na estrada para poder agir atempadamente em conformidade.

Alguns exemplos de sons importantes para a tarefa da condução são, buzinas de outros veículos, que podem avisar de algum perigo, sirenes de veículos em marcha de emergência, apitos que alertam para a proximidade de um comboio ou de uma passagem ferroviária, ou até sinais sonoros que avisam que o sinal verde está aberto para os peões. Dentro do próprio veículo, existem igualmente sinais que ajudam o condutor a perceber o estado do veículo (como por exemplo, o ruído do motor que permite reconhecer a sua aceleração), que permitem lembrar a utilização de determinados dispositivos de segurança, (como o sinal de aviso que o cinto de segurança não está colocado), ou até auxiliar em algumas manobras, (como é o caso dos avisos sonoros dos sensores de marcha-atrás ou dos sensores de estacionamento).

A perda auditiva costuma ser gradativa, por isso é preciso ficar atento. A presbiacusia é o nome da perda auditiva relacionada ao processo de envelhecimento. Se você anda tendo dificuldade para entender o que as pessoas falam, pede com frequência para repetir o que foi dito ou costuma ouvir televisão com o volume muito alto, pode ser hora de procurar um médico. Quanto antes procurar ajuda, mais fácil será para dar o diagnóstico e contornar o problema.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) considera a poluição sonora o terceiro maior problema ambiental que afeta a população mundial.

O médico do trabalho, normalmente alocado dentro das empresas que mantêm bons programas voltados para a saúde do trabalhador pode diagnosticar casos de perda auditiva por ruído e recomendar uma visita a um especialista. Caso a empresa não tenha um profissional alocado, o trabalhador também pode procurar o CEREST (Centro de Referência em saúde do Trabalhador) de sua região, pois o Centro estará apto a atender o profissional e inclusive visitar a empresa para averiguar se há necessidade do uso de equipamentos de proteção e segurança, além de fazer palestras de orientação para empresários e funcionários.

 

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