Breve história de Niterói

A região atualmente ocupada por Niterói foi habitada, a partir de 4000 a.C., aproximadamente, por povos coletores, caçadores e pescadores que deixaram, como marcas de sua passagem, grandes vestígios arqueológicos, os sambaquis.

Sambaquis (do tupi tamba, "concha" e ki, "depósito", significando "depósito de conchas") são os restos de conchas, esqueletos humanos, cerâmica, machados, ossos de animais, peixes e pontas de pedra de flechas que foram soterrados e que passaram por um processo de fossilização.

Tais testemunhos são muito comuns no litoral brasileiro e são extremamente valiosos para que os arqueólogos de hoje possam compreender como funcionavam essas sociedades pré-históricas.

Em Niterói, existe um grande sítio arqueológico de sambaquis ao lado da Duna Grande da Praia de Itaipu, na Região Oceânica. Bem perto deste sítio, se localiza o Museu de Arqueologia de Itaipu, que expõe os sambaquis que foram encontrados na região.

Museu de Arqueologia de Itaipu

Por volta do ano 1000, no entanto, estes povos coletores foram expulsos ou destruídos por tribos invasoras de língua tupi, os chamados tupinambás ou tamoios, provenientes da Amazônia (provavelmente, da atual região do estado de Rondônia, no Brasil).

Os primeiros europeus a passarem pela região foram os portugueses na expedição de reconhecimento liderada por Gonçalo Coelho e Américo Vespúcio, que, em 1º de janeiro de 1502, descobriu a Baía de Guanabara, batizando-a "Rio de Janeiro". Porém, como não foram encontrados metais preciosos ou grandes impérios, a região não interessou aos portugueses.

Devido ao descaso dos portugueses, traficantes franceses de pau-brasil estreitaram os laços com os tamoios, gerando uma sólida aliança comercial entre os dois povos. Em meados do século XVI, a França decidiu implementar um projeto de colonização na região da Baía de Guanabara, intitulado França Antártica.

Em 1555, o navegador francês Nicolas Durand de Villegaignon chegou à Baía de Guanabara e se instalou na ilha denominada Serigipe pelos indígenas, no local atualmente ocupado pela Escola Naval, em frente ao Aeroporto Santos Dumont, no Centro do Rio de Janeiro.

Ali, ele construiu o Forte Coligny, que seria arrasado em 1560 por uma expedição portuguesa liderada pelo governador-geral Mem de Sá.

Ainda em 1555, foi construído, pelos franceses, um posto de observação na Praia de Fora, em Niterói, para vigiar a entrada da Baía de Guanabara.

Na fracassada invasão francesa em 1555 começava a história de Niterói

A bravura do cacique Araribóia e de sua tribo foi retribuída com a cessão das terras pela coroa portuguesa. Assim, em 22 de novembro de 1573 o capitão-mor Araribóia, batizado pelos jesuítas com o nome Martin Afonso de Souza, fundou a aldeia de São Lourenço.

No início as atividades navais eram responsáveis pelo progresso da aldeia, que com advento do comércio de peixes, de construções de armações, esquartejamento e industrialização de baleias, adquiriu importância até tornar-se Vila Real da Praia Grande, em 1819.

Porém os sobreviventes franceses, aliados aos índios tupinambás, permaneceram na região e somente seriam definitivamente expulsos pelos portugueses em 1567.

Nesse mesmo ano, os portugueses instalaram uma guarnição de artilharia na Praia de Fora, em Niterói, no antigo posto de observação francesa da entrada da Baía de Guanabara.

Em toda esta luta contra os tamoios e os franceses, os portugueses contaram com a ajuda valiosíssima dos índios temiminós, que habitavam originalmente a atual Ilha do Governador, na Baía de Guanabara, mas que haviam sido expulsos de lá pelos tamoios e franceses.

Os temiminós, na ocasião, liderados por Maracajá-Guaçu, se transferiram para a Capitania do Espírito Santo, onde se converteram ao catolicismo, foram catequizados pelos jesuítas, fundaram a cidade de Serra e ajudaram os portugueses a expulsar invasores neerlandeses.

Com a invasão francesa, os portugueses recrutaram os temiminós para que eles os ajudassem a expulsar os franceses. Como recompensa pela ajuda, os portugueses ofereceram ao líder dos temiminós, Arariboia ("cobra da água de arara", traduzido do idioma tupi. Arariboia também possuía um nome cristão de batismo, Martim Afonso de Souza), que era filho do antigo chefe Maracajá-guaçu, a porção direita da entrada da Baía de Guanabara, enquanto os portugueses ocupariam a sua porção esquerda, a atual cidade do Rio de Janeiro.Tal forma de ocupação seria útil do ponto de vista estratégico para a defesa da baía.

Arariboia aceitou e ocupou a região. Antes da ocupação da porção direita da entrada da Baía de Guanabara, os temiminós ainda ocuparam por algum tempo a região do atual bairro de São Cristóvão, no Rio de Janeiro.

Em 1573, os temiminós se mudaram para a atual região de Niterói, que foi batizada, na ocasião, como São Lourenço dos Índios. Esse ano consta no atual brasão da cidade de Niterói.

O Dicionário Aurélio relata que a região onde foi fundada a cidade era habitada, na época, pelos índios cariis. Na mesma época, um francês chamado Martin Paris, que havia traído seus compatriotas e ajudado os portugueses, recebeu do governo português uma sesmaria na atual região de São Francisco, como recompensa.

O aldeamento de São Lourenço dos Índios tinha uma posição estratégica: se localizava no alto de um morro, propiciando vista panorâmica da entrada da Baía de Guanabara e era cercado de manguezais, o que dificultaria uma eventual invasão pela água.

Foi na Igreja de São Lourenço dos Índios, em 10 de agosto de 1583, que ocorreu a primeira encenação da mais famosa peça do jesuíta José de Anchieta: Jesus na Festa de São Lourenço.

Igreja de São Lourenço dos Índios

Porém, a partir de 1587, com a morte de Arariboia, que se afogou nas imediações da Ilha de Mocanguê, São Lourenço dos Índios entrou em decadência.

Em 1596, a bateria instalada na Praia de Fora rechaçou uma tentativa de invasão neerlandesa chefiada por Van Noorth. Melhor sorte tiveram os núcleos de colonização portuguesa que se estabeleceram nos atuais bairros de São Domingos, Icaraí, Piratininga e Itaipu.

Em Piratininga, os jesuítas possuíam a Fazenda do Saco, que produzia gêneros alimentícios para o Colégio dos Jesuítas, na cidade do Rio de Janeiro, então chamada de São Sebastião do Rio de Janeiro.

Os núcleos de colonização em Icaraí, Itaipu e São Lourenço foram elevados à condição de freguesias durante os séculos XVII e XVIII, sob os nomes de São João Batista de Icaraí, São Sebastião de Itaipu e São Lourenço.

Em 1650, foi construída a Igreja de Boa Viagem, na ilha de mesmo nome.

Igreja de Boa Viagem - praia de Boa Viagem

Entre os séculos XVII e XVIII, foi construído o Forte do Gragoatá.

Forte do Gragoatá

Em 1715, foi iniciada a construção do Forte São Luís em um pico localizado ao lado da Fortaleza de Santa Cruz, para reforçar a defesa da entrada da Baía de Guanabara. O forte foi fundado em 1775.

Em 17 de agosto de 1751, foi inaugurada a Capela de São Pedro, na fazenda homônima, na Enseada do Maruí.

Por esta época, as principais atividades produtivas de Niterói eram a pesca da baleia, a agricultura, a pecuária e a produção de açúcar, de farinha de mandioca e de peixe salgado.

As baleias eram pescadas na Baía de Guanabara, região muito procurada pelas baleias, originando as chamadas "armações", ou seja, locais onde se reuniam os barcos baleeiros.

Dessa época, vem o nome do bairro atual da Ponta da Armação, também chamada de ponta d´Areia ou Portugal Pequeno.

Ponta d´Areia

Vale lembrar que o óleo extraído das baleias era muito utilizado na época como argamassa de material de construção das casas.

Os gêneros alimentícios produzidos por Niterói abasteciam a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.

Restos arquitetônicos desta época são a Fortaleza de Santa Cruz, o Convento de Santa Tereza (que atualmente abriga o Museu de Arqueologia de Itaipu), a Igreja de São Sebastião de Itaipu, a Igreja de Nossa Senhora do Bonsucesso de Piratininga, a Igreja de São Francisco Xavier (que deu o nome ao bairro e praia de São Francisco e cuja inscrição charitas, na entrada, que significa "caridade", em latim, deu o nome à atual Praia de Charitas) em São Francisco e a Igreja de Nossa Senhora da Conceição no Centro de Niterói.

Igreja São Francisco Xavier - Praia de São Francisco

Igreja São Francisco Xavier - Praia de São Francisco

Niterói teve papel destacado em dois ataques de piratas franceses ao Rio de Janeiro durante o século XVIII.

Na primeira, o francês Duclerc foi rechaçado pelos canhões da Fortaleza de Santa Cruz e pela Bateria da Praia de Fora, obrigando-o a se afastar e atacar o Rio de Janeiro pela retaguarda, por Sepetiba. Porém esta manobra dificultou o avanço de Duclerc, que foi vencido com facilidade pela população do Rio de Janeiro.

Fortaleza Santa Cruz - Jurujuba

Na segunda invasão, efetuada pouco após por Duguay-Trouin em vingança pela morte de Duclerc, os moradores da cidade do Rio de Janeiro tiveram que pagar um resgate de 610 000 cruzados, duzentos bois e cem caixas de açúcar.

Os cruzados foram doados pelos habitantes do Rio de Janeiro, porém os bois e o açúcar tiveram que ser pagos pela população da "banda d´além", o que demonstra a importância da agropecuária em Niterói e nas regiões vizinhas (São Gonçalo e Itaboraí) na época.

Em 1819, atendendo aos apelos da população, o rei dom João VI, que costumava passar temporadas de férias no bairro de São Domingos, elevou a região à condição de vila: a Vila Real de Praia Grande. Esta data também consta do brasão da cidade atualmente.

Palacete Dom João VI - São Domingos

No ano seguinte, foi feito um plano de arruamento da cidade, ordenando o centro da cidade em ruas segundo uma disposição quadriculada que se mantém até hoje. Foi a primeira forma de planejamento urbano de uma cidade brasileira. O projeto era da autoria do francês Arnaud Julien Pallière e do major engenheiro brasileiro Antônio Rodrigues Gabriel de Castro.

Em 1824, foi construída a Casa da Câmara e Cadeia, no Largo de São João, no lugar de um antigo cemitério indígena, obedecendo ao planejamento urbanístico de Pallière.

Em 1826, João Caetano estreou, num pequeno palco da Rua 15 de Novembro, no Centro, a sua Companhia Dramática Nacional. Segundo alguns, este foi o marco de fundação do teatro brasileiro.

Teatro Municipal João Caetano - Centro

Em 1832, o cientista inglês Charles Darwin passou pela cidade. Ele estava em uma expedição científica ao redor do mundo. Os dados coletados por ele nessa expedição serviram de base para ele formular a sua revolucionária teoria da evolução das espécies. Darwin, após visitar a cidade do Rio de Janeiro, atravessou a Baía de Guanabara e se dirigiu, a cavalo, até a cidade de Conceição de Macabu. Em Niterói, visitou particularmente a região da Serra da Tiririca.

Serra da Tiririca - Itacoatiara

Em 1834, o Ato Adicional à Constituição de 1824 determinou que a cidade do Rio de Janeiro passasse a ser município neutro. Isto implicou na escolha de uma nova capital para a província do Rio de Janeiro.

Após muita discussão, a Vila de Praia Grande tornou-se a nova capital, agora elevada à condição de cidade e com um novo nome, de origem tupi: "Niterói". Este termo significa "água verdadeira fria" ('yetéro'y) no idioma tupi e era utilizado pelos índios para se referir à entrada da Baía de Guanabara, que é uma região de águas mais frias que o resto da baía devido à constante entrada de água proveniente do Oceano Atlântico. Também há outra interpretação, em que Nictheroy, em Tupi, significa “água escondida”.

Desta forma, o ano de 1834 também inscreveu-se na bandeira de Niterói.

O nome Niterói só veio em 1835 após a Vila de Praia Grande se tornar a capital provisória da província do Rio de Janeiro

A condição de capital trouxe uma série de desenvolvimentos urbanos, como a barca a vapor, iluminação pública a óleo de baleia, lampiões a gás, abastecimento de água e novos meios de transporte (bondes elétricos, estradas de ferro, companhia de navegação) para ligar a cidade ao interior do estado.

Em 1835, foi inaugurada a primeira linha regular de barcas entre o Rio de Janeiro e Niterói.

Em 1840-1841, foi construída a ligação por terra entre os bairros do Ingá e de Icaraí. Na região, localiza-se a estrutura rochosa conhecida como Pedra de Itapuca, símbolo da cidade presente na bandeira municipal.

Itapuca - entre Icaraí e Ingá

Itapuca é um termo tupi que significa "pedra furada". Tal estrutura compunha-se de uma ponte de pedra que ligava o promontório rochoso no mar com o continente, formando uma estrutura com o formato de uma pedra com um furo. Porém a ponte de pedra desmoronou, restando somente a Pedra de Itapuca, que fica bem próxima a outro símbolo da cidade, a Pedra do Índio.

Em 1842, João Caetano adquiriu a casa onde havia se apresentado na Rua 15 de Novembro e a transformou no Teatro Santa Tereza.

Teatro Municipal João Caetano - Centro

Em 1 de novembro de 1855, foi realizado o primeiro enterro no Cemitério de Maruí.

Em 1860, foi inaugurada a estação das barcas na Rua das Chagas, atual Praça Leoni Ramos, no bairro de São Domingos.

Estação das Barcas da Cantareira - São Domingos

Entre 1861 e 1900, foram construídos a Capela e Cemitério de Nossa Senhora da Conceição, cujas ruínas podem atualmente ser vistas no interior do Condomínio Ubá-Itacoatiara, na Estrada de Itacoatiara, número dez.

Em 1863, começou a ser construído, na Ponta do Imbuí, o Forte Dom Pedro II.

Em 1866, a Província do Rio de Janeiro extinguiu, oficialmente, a antiga aldeia indígena de São Lourenço dos Índios, sob o argumento de que já não existiam índios no Brasil. Desta forma, o terreno da aldeia foi incorporado ao município.

Em 1871, surgiram os primeiros bondes em Niterói, puxados por mulas.

Em 1872, o português Bento Joaquim Alves Pereira construiu o Solar do Jambeiro, residência no bairro do Ingá.

Solar do Jambeiro - Ingá

Ao longo do século XIX, desenvolveu-se a indústria naval em Niterói, especialmente na Ponta d`Areia, que passou a abrigar importantes estaleiros, como por exemplo o estaleiro do Visconde de Mauá.

O imperador dom Pedro II gostava de visitar a cidade para assistir aos espetáculos no Teatro Santa Tereza, atual teatro municipal João Caetano. Em 1845, ele inaugurou o Chafariz da Memória, na atual Praça do Rink e, em 1854, a Igreja de São João Batista, no Centro. Também foi inaugurado, pelo imperador, o Asilo Santa Leopoldina, mais tarde transferido para Icaraí.

No dia 4 de abril de 1888, a câmara municipal de Niterói aboliu a escravidão na cidade, um mês e quatro dias antes de a princesa Isabel assinar a Lei Áurea.

Em 1889, foi inaugurada a nova estação das barcas na Praça Arariboia.

Estação Araribóia das Barcas (1958) - Centro

Em 1890, Niterói teve seu território grandemente reduzido devido à separação das freguesias de São Gonçalo, Nossa Senhora da Conceição de Cordeiro e São Sebastião de Itaipu, que passaram a constituir o município de São Gonçalo.

Em 1894, no auge da Segunda Revolta da Armada (revolta da marinha pelo cumprimento da Constituição de 1891, que obrigava a realização de eleições presidenciais para a escolha do sucessor de Deodoro da Fonseca, presidente que havia renunciado ao cargo em 1891. O cargo havia sido ocupado por Floriano Peixoto, o vice-presidente.), Niterói foi bombardeada pelos navios da armada, obrigando a transferência da capital para a cidade de Petrópolis.

A população também se refugiou no interior

Os revoltosos tentaram várias vezes invadir a cidade, porém não conseguiram vencer a resistência das tropas leais ao governo. Um dos baluartes da resistência na cidade foi a Bateria da Praia de Fora, que, em 1896, foi renomeada como Forte Marechal Floriano Peixoto, por sua lealdade ao presidente.

Foi na Praia de São Francisco que ocorreu a primeira vítima fatal da revolta: uma mulher que foi atingida por uma bala de canhão disparada pelos navios revoltosos. Pela resistência, Niterói recebeu a alcunha de "cidade invicta".

Em 1900, a Ordem Salesiana ergueu um monumento a Nossa Senhora Auxiliadora no alto do Morro de Santa Rosa.

Em 1901, terminou a construção do Forte Dom Pedro II, renomeado então como Forte do Imbuí, devido ao desejo de afastar qualquer menção ao regime monárquico recém-derrubado.

Forte Imbuí - Jurujuba

Finalizada a revolta com a derrota da armada, Niterói readquiriu a condição de capital em 1903.

Reassumida sua condição de capital do estado do Rio de Janeiro, Niterói passou por uma reforma urbanística que ficou conhecida como Renascença Fluminense.

Novo impulso de modernização na cidade com construção de praças, deques, parques, estação hidroviária e rede de esgotos, além de alargamentos das ruas e avenidas principais.

A Enseada de São Lourenço foi aterrada, o Morro do Campo Sujo, ou Doutor Celestino, foi desmontado por meios hidráulicos e foi construído o novo centro cívico da cidade sobre um terreno utilizado como esgoto na região da atual Praça da República.

Foram construídos, em estilo eclético, ao redor da praça, segundo o projeto geral do arquiteto Pietro Campofiorito, os prédios da Biblioteca estadual, da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (atual Câmara dos Vereadores de Niterói), do Liceu Nilo Peçanha, da sede regional da Polícia Civil e o do Tribunal de Justiça de Niterói. O centro da praça foi ocupado pelo monumento Triunfo da República.

Em 1904, o poder executivo fluminense passou a ser sediado em um palacete no bairro do Ingá que anteriormente pertencera ao industrial português José Francisco Corrêa, dono da famosa fábrica de fumo Veado. O palacete, que anteriormente era conhecido como Palacete Sande, passou então a ser conhecido como Palácio do Ingá.

Palácio do Ingá

Em 1905, foi construído o antigo abrigo de bondes para servir de local de manutenção dos bondes elétricos a serem implantados na Rua São João número 383.

Em 1906, foram inaugurados a iluminação elétrica, o sistema de esgotos, o Estaleiro Rodrigues Alves da Companhia Cantareira de Viação Fluminense e os bondes elétricos na cidade.

Bonde elétrico

Em 1908, foi concluído o parque do Campo de São Bento na região que antigamente pertencia ao Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro e que era utilizado para descanso do gado que vinha de Campos dos Goitacazes.

Campo de São Bento - Icaraí

No mesmo ano, a Igreja de São João Batista, no Centro, foi elevada à categoria de catedral.

Em 1910, foi inaugurada o novo prédio da prefeitura de Niterói: o Palácio Arariboia. Nesse mesmo ano, foi concluída a nova estação das barcas.

Palácio Araribóia (Prefeitura Velha) - Centro

Em 1913, foi fundado o Canto do Rio Foot-ball Club.

Em 1914, foi inaugurado o Paço Municipal, sede da câmara dos vereadores, no mesmo lugar da demolida Casa da Câmara e Cadeia, por iniciativa do prefeito Feliciano Sodré.

No mesmo ano, foi inaugurado o Palácio dos Correios e Telégrafos, próximo à Estação das Barcas. Ainda na gestão de Feliciano Sodré, foi inaugurado o Palácio da Justiça, na Praça da República.

Correios (1920) - Centro

Em 1917, foi inaugurado o prédio do corpo de bombeiros na Rua Marquês do Paraná, número 134, no Centro.

Corpo de Bombeiros - Centro

Em 1918, foi inaugurada a Igreja de Nossa Senhora Auxiliadora, em estilo mossarábico, no bairro de Santa Rosa.

Em 1920, a Enseada de São Lourenço, um dos marcos da fundação da cidade, foi aterrada com terra proveniente de três morros da cidade.

Em 1922, foi inaugurada uma igreja anglicana em Icaraí, a All Saints Church, por iniciativa da colônia inglesa.

Em 1925, foi instalado um busto do imperador dom Pedro II no Largo de São Domingos, atual Praça Leoni Ramos, no bairro de São Domingos, em comemoração ao centenário do nascimento do ex-imperador brasileiro. Estiveram presentes à cerimônia de inauguração o governador do estado do Rio de Janeiro Feliciano Sodré e o príncipe Dom Pedro de Orleans e Bragança.

Em 1927, foi inaugurado o porto da cidade, no aterro feito sobre a antiga Enseada de São Lourenço.

Em 1929, foi inaugurado o primeiro edifício de grande porte em concreto armado da cidade, na Avenida Jansen de Mello número três, com a função de abrigar o Instituto de Fomento e Economia Agrícola do Estado do Rio de Janeiro. O projeto foi de Pietro Campofiorito e contava com um elevador, o que era novidade para a época.

Instituto de Fomento e Economia Agrícola do Estado do Rio de Janeiro - Centro

Em 1935, foi inaugurada a Biblioteca Estadual na Praça da República.

Biblioteca Estadual - Centro

Em 1937, foi construído o Castelinho do Gragoatá, ou de São Domingos.

Castelinho do Gragoatá

No mesmo ano, foi construído um imenso trampolim de concreto na Praia de Icaraí.

Trampolim na Praia de Icaraí

Em 1938, o Forte Marechal Floriano Peixoto foi renomeado Forte Barão do Rio Branco em homenagem ao diplomata.

Foi criado o jardim zoológico de Niterói, no bairro do Fonseca.

Na década de 1940, foi construído o Cinema Icarahy, em estilo art déco.

Cinema Icaraí (1950) - Icaraí

Em 1941, foi construído o Estádio Caio Martins, pelo governador Amaral Peixoto, para abrigar partidas do campeonato carioca de futebol.

Em 1942, foi aberta a Avenida Amaral Peixoto, ligando a estação das barcas, na Praça Martim Afonso (atual praça Arariboia), ao novo centro cívico da cidade, a praça da República.

Avenida Amaral Peixoto (anos 1940) - Centro

Em 1943, o município de Niterói reincorporou a freguesia de Itaipu, atual Região Oceânica de Niterói.

No período posterior à Segunda Guerra Mundial (1939-1945), o aumento da migração para a cidade, especialmente do interior do estado do Rio de Janeiro e da Região Nordeste do Brasil, resultou na ocupação dos morros da cidade, especialmente do Morro do Estado, formando as chamadas favelas.

Ao longo do século, foram construídos o Túnel Icaraí - São Francisco e o Cassino Icaraí, que rivalizava com o Cassino da Urca no Rio.

Em meados do século, foi construído o Terminal Rodoviário Roberto Silveira em estilo modernista.

Em 1950, o papa Pio XII elevou a Igreja de Nossa Senhora Auxiliadora, em Santa Rosa, à condição de basílica.

Em 1958, o cargueiro Camboinhas encalhou na Praia de Itaipu. O seu resgate revelou-se impraticável, forçando o seu desmonte. Tal fato nomeou aquela região da praia como Praia de Camboinhas.

Navio Camboinhas encalhado na praia de mesmo nome - Camboinhas (Região Oceânica)

Em 1959, a estação das barcas foi destruída pela população num incêndio na chamada Revolta da Cantareira ou Rrevolta das Barcas, que protestava contra o alto preço e as más condições das barcas da companhia Cantareira. Em consequência, a marinha assumiu as barcas, construindo uma nova frota e a atual estação das barcas na Praça Arariboia.

Revolta das Barcas (1959)

Em 1960, foi criada a Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, pela junção das faculdades públicas da cidade.

Em 17 de dezembro de 1961, ocorreu o incêndio do Gran Circo Norte-Americano, na Avenida Rio Branco, que deixou 503 mortos.

Em 1964, um tumulto no Estádio Caio Martins numa partida do campeonato carioca de futebol entre o Canto do Rio e o Fluminense Football Club levou ao afastamento permanente do clube niteroiense da primeira divisão do campeonato carioca.

Em 1965, foi inaugurada a estátua de Arariboia na praça homônima em frente à estação das barcas.

Estátua de Araribóia na saída das Estação Araribóia das Barcas - Centro

A Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro mudou seu nome para Universidade Federal Fluminense.

Em 1967, a reitoria da universidade passou a ocupar o prédio do Cassino Icaraí.

Cassino Icarahy (onde está atualmente o prédio da Reitoria da UFF) - Praia de Icaraí

No final da década de 1960, o trampolim na Praia de Icaraí foi dinamitado por oferecer risco aos banhistas.

Trampolim da Praia de Icaraí

Nos anos 1970, a Praça da República, no Centro, foi totalmente destruída para dar lugar a um prédio novo.

Em 1973, foi criado o mercado de peixe São Pedro, na Ponta d'Areia. O mercado se tornou uma referência estadual em matéria de venda de frutos do mar.

Mercado de Peixes São Pedro - Ponta D`Areia

Mas o maior marco para o crescimento econômico da cidade viria em meio ao regime militar, em plena ditadura, quando foi inaugurada a Ponte Presidente Costa e Silva (Ponte Rio-Niterói), em 1974. Foi o sinal para o redirecionamento de investimentos públicos, da especulação imobiliária, da infraestrutura e ocupação de bairros da Região Oceânica.

Ponte Presidente Costa e Silva (Ponte Rio-Niterói)

Porém, o esperado crescimento sofreu impacto com a fusão do estado da Guanabara e Rio de Janeiro, provocando o esvaziamento econômico com a perda do título de capital de Niterói.

Hoje, a cidade apresenta índices de desenvolvimento que a tornam mais do que simples coadjuvante da capital do estado. Referência em setores essenciais como educação, saúde, qualidade de vida e cultura, o município cresce a passos largos ganhando espaço no cenário nacional.  

Um fato marcante na história da cidade de Niterói é sua forte ligação com a cultura indígena. A região já era habitada por povos coletores há milênios atrás, os índios tamoios lhes sucederam e, em seguida, a cidade foi fundada pelo cacique temiminó Arariboia.

A partir daí, os portugueses e seus descendentes foram preponderantes em sua história, porém permaneceu a influência indígena através dos nomes de bairros e acidentes geográficos da cidade, como Itaipu, Piratininga, Icaraí, Ingá, praia das Flechas, pedra do Índio, pedra de Itapuca, praça Arariboia etc.

No século XXI, outro acontecimento veio confirmar a forte ligação da cidade com a cultura indígena: um grupo de índios guaranis proveniente do sul do Brasil se instalou no final da praia de Camboinhas, em uma região de um antigo cemitério indígena, reivindicando a área para a criação de uma aldeia guarani. Além do fato de ser uma das únicas cidades brasileiras fundadas por índios, Niterói também detém uma outra característica peculiar: foi a primeira cidade brasileira a ser planejada, 140 anos antes da construção de Brasília.