Brasil deve prorrogar acordo automotivo

Janaína Figueiredo - O Globo

BUENOS AIRES Apesar de as presidentes Dilma Rousseff e Cristina Kirchner não terem se reunido na última cúpula de chefes de Estado do Mercosul, na sexta-feira passada, em Montevidéu, como estava previsto, o assessor para Assuntos Internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, assegurou que o regime automotivo entre os dois países será prorrogado. Em entrevista ao site argentino "Infobae", Garcia referiu-se a um dos principais conflitos entre Brasil e Argentina no momento: o comércio de automóveis. 

- Será prorrogado (o regime automotivo). É positivo para os dois países. Temos de resolver o problema das autopeças que estão em mãos das multinacionais. Deve ser estimulada a produção, seja na Argentina ou no Brasil - disse o assessor. 

Dado à falta de entendimento entre os dois países sobre o intercâmbio de automóveis, em 1º de julho último entrou em vigência o livre comércio no setor. Até então, essas transações eram administradas, com regras e limitações acordadas pelos dois. 

Para os argentinos, a negociação de um novo acordo é fundamental, já que Buenos Aires teme que o livre comércio desequilibre a balança comercial. Já o Brasil parecia estar menos preocupado com o assunto e pouco disposto a ajustar o regime anterior. As declarações de Garcia indicariam, porém, que a prorrogação do acordo está sendo negociada. 

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), entre janeiro e maio deste ano, o total de automóveis exportados pelo Brasil ao mercado argentino atingiu US$ 1,676 bilhão, alta de 21,52% em relação ao mesmo período de 2012. Já a importação de automóveis da Argentina ficou em US$ 1,604 bilhão. 

Garcia também lamentou a saída da Vale da Argentina, já que "o intercâmbio comercial entre os dois países perdeu US$ 1 bilhão". 

- Existe uma negociação particular com o governo argentino. Vai ser solucionado - afirmou Garcia.