A privatização petista avança

Reformulado, o programa atrai investidor para rodovia 

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As privatizações na área de infraestrutura eram tidas pelo governo como uma oportunidade para fazer a economia deslanchar em 2013. Mas, ao anunciar as regras, o governo procurou reduzir ao máximo as margens de ganho — e arrefeceu o apetite dos investidores. As concessões atrasaram em boa parte por falta de interessados. O fracasso inicial fez com que as autoridades reconhecessem as falhas e alterassem os editais. O leilão da Rodovia BR-163 no trecho que corta o Estado de Mato Grosso, na semana passada, indicou o acerto da nova estratégia. Em relação à primeira proposta, o governo concordou em reajustar o valor de referência para o pedágio em 73%, de 3.17 reais para 5,50 reais. A flexibilidade foi recompensada. Sete grupos privados se interessaram em duplicar 450 quilômetros da estrada em até cinco anos e em explorá-la por trinta anos. A vencedora foi a Odebrecht, que aceitou cobrar um pedágio de 2,64 reais a cada 100 quilômetros, 52% abaixo da tarifa proposta e abaixo inclusive do número inicial imaginado pelo governo. 

A BR-163 é conhecida como a rodovia da soja, porque atravessa algumas das principais regiões produtoras do grão do país, como Sinop, Sorriso, Lucas do Rio Verde e Rondonópolis. A duplicação facilitará o escoamento da safra para os portos de Santos e Paranaguá. A presença da Odebrecht no estado é crescente: ela opera a usina hidrelétrica de Teles Pires, na divisa com o Pará, e uma unidade de produção de açúcar e etanol no Alto Taquari. 

O governo também leiloou, na semana passada, 72 blocos para a exploração de gás natural, arrecadando 165 milhões de reais. Com bons projetos, regras claras e rentabilidade atraente, não faltarão investidores para a infraestrutura. 


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