'Nas mãos de Deus', diz Massa, sobre pneus furados. Reunião é marcada

GP da Inglaterra é marcado por diversos estouros de pneus, e FIA marca reunião emergencial com equipes e Pirelli para solucionar problema

Por Rafael Lopes - GloboEsporte.com

Direto de Silverstone, Inglaterra


Primeiro, foi o pneu traseiro esquerdo de Lewis Hamilton que estourou e se desintegrou completamente. Depois, foi a vez de Felipe Massa, que chegou a rodar e sair da pista. Passadas algumas voltas, o mesmo aconteceu com Jean-Eric Vergne e, já no fim da corrida, com Sergio Pérez. Por sorte, ninguém chegou a bater ou se acidentar de maneira mais grave no GP da Inglaterra deste domingo, vencido por Nico Rosberg. Mesmo assim, os pilotos se mostraram extremamente preocupados com a série de incidentes. Sentindo a segurança ameaçada, eles criticaram a situação e pediram mudanças rápidas.

- O que aconteceu é muito perigoso. Se acontecesse em outro lugar, eu poderia ter me acidentado gravemente e isso não é aceitável. Penso que nossa segurança é a coisa mais importante. Depois do que aconteceu, fiquei com medo de ir para cima e acontecer de novo, mas continuei pressionando e deixei nas mãos de Deus. Não é um sentimento muito bom, mas não existia outra opção – declarou Felipe Massa, que ainda conseguiu chegar em sexto, após cair para último em razão do pneu furado no início da prova.

Reunião emergencial é marcada

Uma reunião emergencial entre a FIA (Federação Internacional de Automobilismo), a fornecedora oficial Pirelli e as equipes foi marcada para a próxima quarta-feira, em Nurburgring, palco da próxima etapa. Nela deverá ser alterado o sistema de aprovação atual para permitir mudanças nos compostos durante a temporada. Não será mais necessária a unanimidade, apenas a maioria absoluta. Recentemente, o lobby contra de Ferrari, Lotus e Force India impediam alterações nos compostos.

Por causa do ocorrido neste domingo a Pirelli deverá, enfim, conseguir implementar os novos tipos de pneus reforçados que tenta emplacar desde o GP do Canadá. O composto é reforçado com Kevlar, material usado em coletes a prova de bala.

Também prejudicado por um pneu furado, Lewis Hamilton falou que um incidente como esses é inaceitável.

- A segurança é a questão principal, o que aconteceu é inaceitável. Tivemos aquele teste para desenvolver e melhorar o uso dos pneus para que este tipo de incidente não acontecesse, mas nada aconteceu. Alguém poderia ter batido. Eu estava pensando que é só quando alguém se machucar que algo vai ser feito a respeito – reclamou Hamilton, que era líder quando teve o problema.

O piloto Sergio Pérez, da McLaren, fez coro com Hamilton para reclamar da questão de segurança.

- Isto é realmente inaceitável. Nós estávamos arriscando nossa vida e não devemos esperar que algo sério aconteça com todos nós. É uma vergonha que algo assim aconteça a 250km/h, por isso a Pirelli precisa trabalhar duro agora – desabafou Pérez.

Pirelli vai investigar problema

O diretor de esportes a motor da fabricante italiana, Paul Hembery, afirmou que o que se viu hoje foi completamente inesperado. Entretanto, se negou a sugerir a natureza do problema até que uma análise completa seja realizada.

- É óbvio que esta foi uma situação inesperada. Vimos algo novo, um tipo diferente de problema. Já começamos a executar nossas análises e quando entendermos o que aconteceu, poderemos ir direto ao núcleo do problema. Nós levamos este tipo de coisa à sério. Quando soubermos o que aconteceu de fato, nós nos pronunciaremos – afirmou Hembery.

Ele, porém, fez questão de afastar a possibilidade de que o novo processo de colagem dos pneus teria sido responsável pelos problemas. A fornecedora adotou o procedimento para evitar as delaminações ocorridas no início do ano, já que não conseguia implementar os novos compostos reforçados com klevar.

- Nós podemos excluir que o novo processo de colagem, que introduzimos nesta corrida, é a causa para as falhas que vimos hoje. Pode haver algum aspecto relativo a este circuito que afetou especificamente a versão mais recente dos nossos pneus 2013. Mas nesse momento, não queremos ficar especulando antes de reunir todas as evidências necessárias para descobrir o que aconteceu e tomar as providências necessárias.


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