Nova York enfrenta primeiro racionamento de combustível desde 1971

FOLHA DE SP

DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

A cidade de Nova York começou na sexta (9) um racionamento de gasolina, o primeiro desde os anos 1970.

O prefeito Michael R. Bloomberg anunciou na quinta um rodízio oficial de abastecimento. O sistema funcionará da seguinte forma: carros terminados em números pares só podem abastecer em dias pares -- o mesmo vale para placas terminadas em números ímpares e em letras, que só abastecerão em dias ímpares.

Segundo Bloomberg, apenas 25% dos cerca de 800 postos de gasolina na cidade estão abertos e a escassez pode se prolongar por semanas. O prefeito acrescentou ainda que o racionamento não se aplicará a táxis, carros oficiais, ônibus e veículos de emergência.

Oficiais e especialistas afirmam que o furacão não só cortou a energia de muitos postos de combustíveis, mas também causou danos em ampla escala em refinarias e na rede portuária de distribuição da gasolina até as bombas.

Desta forma, mesmo com o restabelecimento da energia elétrica, a gasolina continua em falta porque os distribuidores não conseguem acessar suas fontes usuais.

Segundo o site Gasbuddy.com, que vem rastreando a disponibilidade de gasolina na região metropolitana de Nova York, até quinta 77% dos postos não tinham combustíveis. Em Long Island, o índice chegava a 68%.

Executivos do setor afirmam que ao menos 20 terminais ainda estão fora de operação. Para piorar, as recentes nevascas na região têm obstaculizado ainda mais os reparos, adiando-os para um prazo que pode chegar a várias semanas.

Desde a passagem do furacão Sandy, há quase duas semanas, centenas de postos fecharam e forçaram motoristas desesperados a passarem horas em filas à espera de gasolina.

Os municípios de Nassau e Suffolk, em Long Island, também anunciaram sistemas par-ímpar de rodízio. Nova Jersey foi a primeira cidade a embarcar em um racionamento, no sábado passado (3).

O racionamento em Nova York vem após mais de uma semana de esforços locais e federais para resolver uma crise de abastecimento que tem desafiado as soluções rápidas. Entre os problemas, destacam-se terminais petrolíferos danificados e redução no tempo de viagem das barcaças que levam gasolina às docas.

As longas filas já se transformaram em um lembrete diário, para a população, da devastação do furacão e da massiva recuperação, lado a lado com casas danificadas, cortes de energia e problemas de trânsito.

"Este não é um passo que damos facilmente", disse o prefeito. "Mas, dadas a escassez que enfrentaremos nas próximas semanas e a crescente frustração dos nova-iorquinos, acreditamos que este é o passo correto", acrescentou.

ESPECULAÇÃO E PÂNICO

O governador do Estado, Andrew M. Cuomo, e outros oficiais do governo alertaram repetidamente na última semana que o pânico que leva motoristas a comprarem e armazenarem mais gasolina do que precisam apenas piorou a situação. Ele sugeriu que o racionamento nos subúrbios ao norte da cidade não era planejado neste momento.

Ao determinar o racionamento, o prefeito Bloomberg anotou que outras medidas já haviam sido tentadas pelas autoridades locais e federais, como a abertura de portos regionais a barcaças e barcos carregando derivados de petróleo. Autoridades federais também enviaram milhões de galões de combustível à região, sem que isso pudesse aplacar a demanda.

Policiais já foram posicionados em todos os postos de combustíveis abertos para manter a ordem e tentar evitar novos racionamentos.

A população parece estar ao lado do prefeito. Judy Jones, uma professora que aguardava na fila de um posto da British Petroleum em Manhattan, disse apoiar a medida. "[O racionamento] vai reduzir as filas, você não vai precisar ficar duas horas de pé. Nova Jersey já o fez e devíamos ter feito antes."