Moradores de Niterói preparam passeata em Icaraí

Ruy Machado - O Fluminense

Organizado através das Redes Sociais, manifestação acontece no próximo dia 24, às 10h30, para cobrar por melhorias na área de segurança em toda a cidade

O velho ditado “A união faz a força” parece ter resultado em Niterói. Aproveitando o momento de instabilidade na segurança pública da cidade do princípio do ano e o advento das redes sociais, diversos grupos de relacionamentos surgiram na internet e provocaram uma revolução no modo de pensar do niteroiense. Desta forma, hoje, os seguidores destes grupos somam aproximadamente 60 mil pessoas, cerca de 10% do somatório de habitantes das cidades de Niterói e Maricá, área de cobertura do 12º BPM, que unidos pretendem cobrar novamente por melhorias na área de segurança em uma passeata no próximo dia 24, às 10h30, na Avenida Jornalista Alberto Francisco Torres, em Icaraí. Na manifestação “Basta de violência. Queremos Paz”, manifestantes estarão vestidos com camisas brancas e fita azul escura, referente ao efetivo do batalhão da cidade.

O ato ganhou força depois de novos episódios criminosos na cidade. A ação dos bandidos despertou nos moradores o sentimento de cobrança. A manifestação do próximo sábado não tem partido, convoca a população de Niterói, inclusive de seus políticos, recém-eleitos, mas sem direito a fala, para que assinem um documento que será enviado ao governo do estado cobrando questões emergenciais ligadas ao policiamento e carência de políticas públicas, principal motivador da violência. A expectativa sobre o comparecimento do público para o ato é que a mobilização atinja pelo menos o equivalente a uma pessoa por policial do batalhão da cidade.

“Estamos focados hoje, nas questões de segurança, do efetivo do 12º BPM (Niterói) e a partir daí vamos ver os periféricos, o que mais tem que ser feito para melhorar a cidade. Queremos aqui na cidade 1,8 mil policiais militares, além da criação do batalhão de Maricá. Hoje temos nas ruas 150 policiais por dia, não há como dar conta. É circense ter meio milhão de habitantes e esta quantidade de policial”, contou Oscar Motta um dos líderes do movimento S.O.S São Francisco.

Na luta por melhores condições estarão famílias vítimas de violência e que perderam entes queridos, entre elas a filha do Desembargador Gilberto Fernandes e parentes do empresário Marcelo Bragança Ramos, ambos assassinados em tentativas de assalto na cidade.

“Eu nunca pensei em participar de movimentos contra a violência, hoje me vejo aqui. Quero levantar uma bandeira, um grito da população. Meu pai levou um tiro na cabeça, mas esta bala entrou no coração de todos”, Gilza Fernandes.

Moradores de Santa Bárbara, na Zona Norte da cidade, também garantiram presença na passeata do dia 24. Eles estão amedrontados desde o assassinato do candidato eleito a vereador Lúcio do Nevada, no dia 24 de outubro. Esse é o caso da microempresária Lia Salles, de 28 anos. Ela escolheu morar no bairro por indicações de amigos que afirmaram sobre a tranquilidade do lugar. Lia saiu de São Gonçalo e foi para lá em 2007.

“De um tempo para cá foi que a coisa ficou assim. Fui roubada às 7h da manhã de um domingo enquanto levava meu cachorro para passear. O bandido estava a pé, me apontou a arma e levou minha carteira e celular. Com certeza estarei na praia para gritar por justiça e paz”, acrescentou Lia.

Internet como aliada

A mobilização das pessoas nas redes sociais cresce a cada dia, prova disso são os grupos criados para discutir questões envolvendo problemas da cidade. Hoje são mais de 10 grupos e somados seus seguidores temos um número próximo a 60 mil pessoas. A internet tem se tornado aliada da população e é apontada pelos organizadores de movimentos como uma vitória, pois a população sofreu com atos errados e a voz nunca alcançava. Agora com este processo, a informação, contatação e divulgação têm se tornado imediatas.

“É cada vez maior a participação das pessoas. Vemos estas questões como controle social, instrumentos importantes, onde são divulgadas as questões políticas da cidade. Em relação a este movimento do dia 24, na página do evento no Facebook, as pessoas questionam sobre as intenções e sobre isso quero dizer que é um movimento apartidário. É importante dizer que este movimento visa levantar a questão da participação da população nas causas da cidade, tanto nas passeatas quanto na reunião do Conselho Comunitário de Segurança”, falou Michele Didier, do movimento S.O.S São Francisco.

Parte de grupos já colhem na rede informações sobre ações de criminosos. Este mapeamento deverá ser encaminhado ao batalhão. O apelo é para que a população use mais as redes sociais.

“Temos que lembrar que os casos compartilhados são vistos por nossos representantes”, contou Michele.

Reforço

Em abril deste ano, a primeira manifestação surtiu efeito, mil pessoas foram às ruas e o retorno foi positivo. O governo estadual enviou ao município um reforço de contingente que permaneceu na cidade por dois meses. A sensação de segurança foi restabelecida e a tranquilidade voltou.

“O Estado mandou recrutas, cavalaria, então percebeu-se quase que de imediato a presença da polícia”, disse Oscar Motta.

Moradores se unem

Foi através da internet que o S.O.S São Francisco foi criado, a princípio para atender as necessidades dos moradores deste bairro, mas com o passar do tempo e os constantes ataques de criminosos em toda cidade, fez a ideia se expandir e unificar-se a outras frentes de luta por melhorias. Um dos idealizadores do movimento, Oscar Motta, acredita que o movimento repercutiu de forma positiva e se alastrou pela cidade onde os moradores se uniram em prol de uma causa, o bem estar de Niterói.

“Quando o movimento surgiu tínhamos o objetivo de zelar pelo nosso bairro, só que a coisa transcendeu. Tivemos um período em São Francisco que só na minha rua, com 10 residências, oito tinham sido assaltadas. Em dois quarteirões, diversas casas foram roubadas, então houve a junção de um grupo de moradores onde realizamos um primeiro contato com o batalhão, só que a coisa se tornou maior do que se imaginou”, disse acrescentando.

“Fomos procurados por vários outros bairros, através de divulgação na internet, para que todos reivindicassem a questão da segurança, foi quando marcamos o primeiro evento, na Avenida Quintino Bocaiúva. Na época foi uma surpresa, cerca de mil pessoas compareceram, apartir daí o movimento cresceu e hoje é um grito de necessidade pelo município, Niterói vive um momento muito grave a nível de segurança”, falou.