Greve já provoca escassez de gás de cozinha em São Paulo

EDUARDO VASCONCELOS
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA DE SP
VALMAR HUPSEL FILHO
DE SÃO PAULO
JULIANA COISSI
DE RIBEIRÃO PRETO
AUGUSTO FIORIN
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA DE SP, DE SÃO JOSÉ DO RIO PRETO

A greve dos trabalhadores das distribuidoras de botijões de gás de cozinha de São Paulo já provoca escassez do produto e alta de preço em várias cidades do Estado. O movimento, decretado nesta semana, não afeta o gás encanado, segundo a Comgás.

Na Grande São Paulo, o estoque está em torno de 10%. "Se não voltar, entre domingo [amanhã] e segunda-feira faltará gás", diz Robson Carneiro, presidente do sindicato das revendedoras da região metropolitana de São Paulo.

No interior, os estoques estão até 90% abaixo do normal e há falta em cidades como Sorocaba, Campinas, São Carlos e Araraquara.

"O gás está racionado em todo o Estado", disse Giovanni Buzzo, presidente do Siregás, que representa revendedores do interior.

As distribuidoras de gás da cidade de Paulínia (a 119 km da capital), responsável pelo abastecimento de quase 50% do Estado, passam por uma paralisação completa.

Buzzo afirma que já há problemas em indústrias e escolas. Para amenizar o problema, as revendas estão recebendo botijões de distribuidoras do Rio de Janeiro, de Minas Gerais e do Paraná, mas há limites de cotas.

Há registros de ágio de mais de 100%, com botijões a R$ 100, segundo Buzzo.

A distribuição está restrita a creches, hospitais e postos de saúde, segundo Marcos Casa, assessor político do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário de Campinas e Região.

Em São José dos Campos, o preço que tem sido cobrado pelo gás de cozinha é de R$ 70, quando o normal seria entre R$ 40 e R$ 45. Isso também está acontecendo no Vale do Paraíba, no Litoral Norte e na Serra da Mantiqueira.

GRANDE SÃO PAULO

Com a paralisação, 500 mil toneladas de gás deixam de ser engarrafadas por dia nas cinco unidades de distribuição da Grande São Paulo, sendo 185 mil toneladas de gás domiciliar. O setor tem aproximadamente 5.000 e cerca de 3.000 indiretos, segundo a diretora do Sindminérios, Valéria Medeiros.

Os TRT de São Paulo e Campinas determinaram funcionamento mínimo de 30% da produção na região metropolitana e 40% nos municípios do interior.

A situação só deve se normalizar após o julgamento do dissídio, na próxima semana, mas pode ser atrasado pelo feriado da República, no dia 15.