Economia recua 0,5% no 3º trimestre, pior resultado em mais de 4 anos

Do UOL, em São Paulo


A economia brasileira caiu 0,5% no terceiro trimestre de 2013 em relação ao trimestre anterior. É o pior desempenho desde o primeiro trimestre de 2009, durante o auge da crise global, quando houve retração de 1,6% (na comparação com o trimestre anterior).

Em relação ao terceiro trimestre do ano passado, subiu 2,2%. Em reais, o PIB (Produto Interno Bruto) alcançou a marca de R$ 1,21 trilhão.

A agropecuária teve o pior resultado, com queda de 3,5% em relação ao segundo trimestre. A indústria também sofreu e  ficou praticamente estável, com leve alta de 0,1%.

Os dados foram divulgados nesta terça-feira (3) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Segundo o IBGE, a formação bruta de capital fixo (investimentos como construção civil, máquinas e equipamentos), recuou 2,2% no terceiro trimestre diante do trimestre anterior. É o pior desempenho desde o primeiro trimestre de 2012 (-2,7%).

O governo da presidente Dilma Rousseff assumiu o discurso de que os investimentos serão o principal motor da economia brasileira, tendo como pano de fundo as concessões de infraestrutura e logística já feitas e programadas para o próximo ano.

O IBGE revisou para cima o crescimento do PIB no segundo trimestre deste ano. Inicialmente havia sido divulgado que a economia brasileira tinha crescido 1,5% em relação ao trimestre anterior. Agora o novo dado é alta de 1,8%.

O instituto também mudou para cima o PIB de 2012: foi de 0,9% para 1%.

Agropecuária cai 3,5%; indústria e serviços ficam estáveis no trimestre

Na comparação do 3º trimestre com o 2º trimestre deste ano, o destaque negativo entre os principais setores da economia foi a agropecuária. 

Depois de ter subido 3,9% no trimestre passado e ajudado a impulsionar o resultado positivo do PIB, a atividade registrou recuo de 3,5% entre julho e setembro.

Já a indústria e os serviços mantiveram-se praticamente estáveis, com leve alta de 0,1% cada.

Indústria e serviços crescem em relação ao ano passado

Quando se compara o 3º trimestre de 2013 com o mesmo período do ano passado, os setores produtivos tiveram resultados melhores.

A indústria cresceu 1,9%, com resultados positivos em todas as atividades que compõem o setor. A construção civil também cresceu 2,4%.

O setor de serviços cresceu 2,2%; todas as atividades que o compõem tiveram variação positiva.

Apenas a agropecuária registrou recuo nesta comparação, caindo 1%.

Mantega arriscou previsão um dia antes e errou

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, errou na previsão do PIB. Ele havia afirmado na segunda-feira (2), um dia antes da divulgação do número oficial do PIB, que a economia brasileira deveria registrar crescimento de 2,5% no terceiro trimestre, em comparação com o mesmo período do ano passado.

Mantega comentou que a economia está se recuperando gradualmente e que o investimento tem ganhado vigor.

O ministro falou também sobre a inflação, e disse que é possível, nos próximos dez anos, atingir uma média de 4% de alta anual dos preços.

Para que esta média seja atingida, Mantega afirmou que o país dependerá dos níveis de investimento e produtividade. Ele aposta que o investimento pode chegar a 24% ou 25% do PIB em 2022.

Dado do BC apontou queda de 0,12%

A estimativa do Banco Central, mostrada por meio do Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), era de redução de 0,12% em relação ao segundo trimestre e de alta de 2,32% em comparação com o terceiro trimestre do ano passado.

O índice é elaborado mensalmente pelo BC e é considerado pelo mercado uma prévia do PIB, embora o Banco Central oficialmente negue que o seu dado seja uma previsão do PIB.

O indicador do BC é visto pelo mercado como uma antecipação do resultado do PIB, e serve de base para investidores e empresas adotarem medidas de curto prazo. Porém, não necessariamente reflete o resultado anual do PIB e, em algumas vezes, distancia-se bastante.

No primeiro trimestre, por exemplo, o PIB cresceu apenas 0,6% em relação ao trimestre anterior, segundo o IBGE. Isso é metade do que mostrava o IBC-Br (alta de 1,22%). Em entrevista, um diretor do BC justificou a diferença, dizendo que o IBC-Br não tem a pretensão de medir o PIB, apesar de o mercado o usar como um balizamento.

PIB e juros

Muitos economistas dizem acreditar que o país vai apresentar um quadro de baixo crescimento ao longo deste ano e do próximo, segundo a agência de notícias Reuters. 

Isso pode convencer o Banco Central a reduzir, ou até interromper, a alta dos juros básicos, mesmo com a expectativa de que a inflação permaneça acima do centro da meta do governo pelos próximos anos.

O BC aumentou a Selic para 10% na semana passada, a maior taxa básica de juros entre as principais economias do mundo. O comunicado pós-decisão, no entanto, sinalizou que ele pode ser menos agressivo daqui para a frente.

"A próxima decisão (de juros) vai ser tomada numa conjuntura de percepção de crescimento muito baixo. Por isso, a gente acredita que ele (BC) quer deixar preparado o terreno para conduzir um ritmo de aperto monetário mais lento," disse o economista-chefe do Santander Brasil, Mauricio Molan.

O BC começou a subir os juros em abril, quando a economia parecia estar em recuperação mais firme e a inflação se tornava uma ameaça cada vez mais séria.

Outros estímulos, como desonerações e linhas de crédito subsidiadas, continuaram em vigor, ajudando a impulsionar a indústria e os investimentos até julho.

(Com Reuters)


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